FIBRILAÇÃO ATRIAL - UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA E FAMILIAR

Cardiologia

Nas últimas duas décadas, a FibrilaçãoAtrial (FA) tornou-se um importante problema de saúde pública, com grande consumo de recursos em saúde. Apresenta importante repercussão na qualidade de vida, em especial devido a suas consequências clínicas, fenômenos tromboembólicos (AVC) e alterações cognitivas.

Dessa forma, é crucial uma visão epidemiológica e social clara do impacto dessa arritmia, com o objetivo de uso adequado de recursos em saúde e planejamento estratégico de políticas em saúde.

A FA é a arritmia sustentada mais frequente na prática clínica, e sua prevalência na população geral foi estimada entre 0,5 e 1%. A relação da idade com a FA é direta sendo que em pacientes com menos de 60 anos, a prevalência é inferior a  0,1%, ao passo que, naqueles acima de 80 anos, sua prevalência é de 8%. A prevalência também sofre influência do sexo. A razão homem-mulher observada na FA é de aproximadamente 1,2 : 1. Muitos fatores de risco clínicos estão associa dos ao aumento no risco de FA e, possivelmente, participam da elevação na prevalência observada nas últimas décadas. Além dos fatores de risco clássicos [hipertensão, diabetes, doença valvar, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca], podemos observar novos fatores de risco potenciais, que podem ocasionar grandes implicações no manejo clínico da FA. Dentre eles, destacam--se a presença de Apneia Obstrutiva do Sono, obesidade, uso de bebidas alcoólicas, exercício físico sem preparo ou extenuante, história familiar e fatores genéticos. 

A classificação mais utilizada na prática clínica refere-se a forma de apresentação da FA. Define-se “FA paroxística” aquela que é revertida espontaneamente ou com intervenção médica em até 7 dias de seu início.

Episódios com duração superior a 7 dias têm o nome de “FA persistente”.

Finalmente, o termo “FA permanente” é utilizado nos casos em que as tentativas de reversão ao ritmo sinusal não serão mais instituídas. 

A FA é a principal fonte emboligênica de origem cardíaca de que se tem conhecimento, representando cerca de 45% dos casos quando comparada com outras cardiopatias, como infarto agudo do miocárdio, aneurismas de ventrículo esquerdo e doenças valvares. Apesar disso, nem todos os pacientes com FA evoluem com tromboembolismo sistêmico. Estudos realizados em décadas passadas apontaram a presença de fatores de risco comuns aos pacientes com FA associada ao tromboembolismo. São eles: idade (acima de 75 anos e idade entre 64 e 75 anos), história prévia de AVC, presença de insuficiência cardíaca, diabetes, sexo feminino, hipertensão arterial, doença vascular periférica (CHA2DS2-VASC). Diante desses fatores temos um escore de risco que nos indica a real necessidade de anticoagular o paciente. Visando a anticoagulação, temos que pensar no risco de sangramento desse paciente também e colocar na balança. Por essa razão, na terapêutica com anticoagulante (ACO), visando-se à prevenção do AVC, torna-se necessário não apenas avaliar o risco de eventos embólicos, utilizando-se o escore CHA-2DS2 -VASc mas também de hemorragia quando o ACO for prescrito. O escore de risco para hemorragia mais empregado na atualidade é o HAS-BLED, cuja pontuação > 3 indica maior risco de hemorragia pelo ACO.

Atualmente, quatro novos ACO foram disponibilizados na prática clínica para prevenção de fenômenos tromboembólicos em pacientes portadores de FA. Tratam-se dos inibidores diretos do fator Xa, como a rivaroxabana (Xarelto), a apixabana (Eliquis) e a edoxabana, e o inibidor do fator IIa, dabigatrana (Pradaxa).

O sucesso do tratamento anticoagulante está muito mais influenciado pela educação do paciente e/ou familiares e cuidadores, do que pela escolha do ACO per se. É necessário que o paciente ou cuidador responsável tenham conhecimento dos ACO.

Após a avaliação de um caso de FA, o paciente pode ser alocado na estratégia de controle do ritmo ou controle da frequência, de acordo com suas características clínicas, ecocardiográficas e evolução de tratamentos anteriores.

Para controle de ritmo temos disponíveis no Brasil: propafenona, sotalol e amiodarona. Para controle da frequência temos os betabloqueadores, os bloqueadores dos canais de cálcio não-diidropiridínicos como diltiazen. A terapia invasiva da FA por meio da ablação por cateter pode ser considerada nos cenários do controle da frequência ou do ritmo.

Em resumo, a FA é uma doença importante levando-se em conta os malefícios que ela pode causar como AVC, alterações cognitivas que acabam por gerar uma dependência do paciente de seus familiares, na maioria das vezes, devido a falta de diagnóstico e correto tratamento. É importante uma avaliação cardiológica séria visando estratificar o paciente frente a necessidade ou não de anticoagulação, além do controle do ritmo ou da frequência cardíaca.



Autor: DRA. LIANA VALADÃO DIAS - Cardiologista CRM-MG 44596
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tags: fibrilação, atrial, dra liana.
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