Serra da Canastra - O encanto das águas

“Enquanto tive diante dos meus olhos a Serra da Canastra, desfrutei de um panorama maravilhoso. À direita descortinava uma vasta extensão de campinas e à esquerda tinha a serra, do alto da qual jorravam quatro cascatas.” “Viagem às nascentes do rio São Francisco”


Descrição de Auguste Saint-Hilaire, um naturalista francês que por volta de 1820 percorreu a pé e no lombo de mulas a região da Serra da Canastra. Viu e descreveu as belezas do Vale da São Francisco, entre as Serras da Canastra e Babilônia, onde hoje se localizam a cidade de Vargem Bonita e a vila de São José do Barreiro, e fez questão de conhecer pessoalmente a já famosa Cachoeira da Mata da Casca D’Anta, hoje simplesmente Casca D’Anta.

A região da Serra da Canastra, no sudoeste de Minas Gerais, possui algumas das mais deslumbrantes e desconhecidas paisagens do Brasil. Durante muito tempo, esteve isolada por precárias estradas de terra e só há poucos anos entrou nos roteiros de viagem como lugar privilegiado para a prática de esportes radicais, vivência ambiental e turismo ecológico.

A região ecoturística da Serra da Canastra tem mais de 200 mil hectares e abrange 6 municípios: São Roque de Minas, Vargem Bonita, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória e Capitólio. A maior atração é o Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 para proteger as nascentes do rio São Francisco e tem a portaria principal a 8 km de São roque de Minas. Dentro do Parque Nacional estão alguns dos mais belos cartões postais do Brasil, como a cachoeira Casca D’Anta, de quase 200 metros, a primeira grande queda do “velho Chico”.

A região é o berço de muitos rios que ajudam a formar as bacias do São Francisco e do Paraná. Rios de uma infância ruidosa, cheia de corredeiras e cachoeiras que passam dos 200 metros de altura.

A paisagem se alterna entre campos rupestres cheios de delicadas flores, cerrado típico e matas de galerias com exuberante vegetação atlântica. É nesse ambiente que vivem protegidas espécies de animais ameaçados de extinção, como o tamanduá- -bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra e o pato mergulhão.

A vida rural mantém as velhas tradições da cultura da região, como a arquitetura do século 19, os muros de pedra sem cimento, o queijo canastra e o carro de boi. Tudo forma um conjunto de rara beleza ainda preservado e fiel à descrição apaixonada do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire.

Nascente do Rio São Francisco


A nascente fica num lindo vale a 1300 metros de altitude e a 6 km da portaria 1 pela estrada que atravessa todo o Parque. Uma placa de pedra indica o lugar onde o “velho Chico” começa a longa viagem de quase 3000 quilômetros até o litoral do Nordeste. A nascente não está claramente definida, mas é formada por dois pequenos córregos que surgem no meio de um charco. É um lugar singelo, com um pequeno capão de mata, uma ponte de madeira sobre o rio e, além da placa, uma trilha de pedras que leva até o monumento erguido na época da criação do Parque: um cercado de pedras emoldurando uma estátua de São Francisco. Aos pés da imagem é reproduzida a famosa oração numa placa de granito. Embora já incorporado à paisagem depois de décadas, o monumento tem gosto duvidoso, causa impacto devido à localização no meio do charco e já foi vítima de vandalismo. O crucifixo que havia numa das mãos da imagem desapareceu em 1999 e nunca foi reposto.

Cachoeira Casca D’Anta

A maior atração da Canastra pode ser visitada pelo alto da serra ou por baixo, em ambos os casos com acesso relativamente fácil por estradas de terra. Na parte alta, a 38 km de São Roque de Minas, há o cânion que o rio São Francisco forma para descer a serra, 14 km após a nascente. Tem uma incrível sequência de cachoeiras e piscinas naturais, algumas inacessíveis. Há um mirante de onde é possível avistar parte da queda principal, a imensa piscina formada embaixo e o curso do rio até a primeira curva rumo ao Nordeste. O desnível superior a 300 metros proporciona uma das mais lindas vistas panorâmicas da região. O local está todo sinalizado pelo Ibama e é fácil pegar a trilha de 3 km para ir até a parte de baixo. São cerca de 4 horas de caminhada, em média, para ir e voltar. Para iniciar a caminhada, assim como contemplar parte do cânion e chegar ao mirante, é preciso atravessar um córrego que pode ficar perigoso em dias de chuva.

Para chegar de carro à parte de baixo, o visitante deve seguir de São Roque de Minas até a portaria 4 do Parque Nacional, passando pela cidade de Vargem Bonita e pelo povoado de São José do Barreiro (distrito de São Roque de Minas), num percurso total de 40 km. Para ter a aproximação máxima da cachoeira, é preciso deixar o carro no estacionamento e caminhar cerca de 15 minutos por uma trilha no meio da mata ciliar. A Cachoeira Casca D’Anta tem queda livre de 186 metros. O nome vem da árvore Casca D’Anta (Drimys winteri) que, por sua vez, foi assim batizada porque que tem propriedades medicinais, cicatrizantes. Segundo os pesquisadores, a anta se esfrega no tronco da árvore para curar ferimentos superficiais.

Opções de roteiro

Você tem uma opção bem interessante para conhecer a Serra da Canastra: a bordo de um histórico caminhão militar, o Engesa EE-25. Viatura símbolo da época áurea da indústria bélica brasileira na década de 80, fabricado pela Engesa, esse modelo de 1989, com tração 6×6 e caixa reduzida, teve 90% de sua produção exportada para a Europa e África. Projetado para trafegar por caminhos remotos com dificuldade extrema, porém proporcionando segurança para seus 22 ocupantes. Com motoristas experientes, está totalmente apto para conduzir você e sua família com a mesma segurança pelas estradas da Serra da Canastra.

Bondinho do Cerradão

A RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) da Cachoeira do Cerradão pode ser conhecida em divertidos passeios em grupo a bordo da camioneta militar Jeep Willys F-85. Conhecido como Jabirusca, o veículo possui tração 4×4 e foi especialmente preparado para transitar nas estradas da região oferecendo aos passageiros conforto e segurança.

Cachoeira com Queijo


Outra opção é a visita a uma fazenda produtora de queijo canastra, mais trilha na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) da Cachoeira do Cerradão. Traslado com guia/motorista em veículos antigos 4×4 (camionetes Willys Overland 1966 e Dodge M-37 1952) com capacidade para até 8 passageiros. Uma ótima oportunidade para juntar, no mesmo dia, uma caminhada agradável com banho de rio e de cachoeira com um pouco do sabor e da cultura do queijo Canastra, o produto gastronômico mais típico e mais famoso da Canastra.

ATENÇÃO

O horário de entrada no Parque Nacional da Serra da Canastra é até as 16h. Saída até as 18h. Horários alternativos somente com prévia autorização da chefia do Parque. O acesso ao Parque Nacional e demais atrações é por terra. As condições de tráfego podem ser precárias em época de chuva. Informe-se previamente.

Autor: GMI
Fonte: GMI
tags: serra, canastra, águas
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